domingo, 28 de janeiro de 2007

Dias frios no calor do Sol

No dia 20 de Janeiro, Sábado, os Afluentes do Sado deram um verdadeiro espectáculo. O Sol mói, com casa cheia, assistiu a mais de duas horas de canções e modinhas da música tradicional alentejana. Uma noite memorável. (as fotos estão a chegar).


***


Nas últimas 2 sessões experimentais de poesia a intensidade de declamadores tem vindo a crescer. Nesta 13ª sessão contou com 28 intervenções, entre a prosa poética, a poesia, histórias, performances e impensamentais. De todos os trabalhos, quer originais quer de autores conhecidos, destaca-se este inédito por ser dedicado ao Sol mói o PAI. É um trabalho feito pelo poeta popular Leafar Seugirdor que o disse logo na abertura desta sessão. Ora aqui vai exactamente como nas páginas originais:


“VISITAR O SOL MOI O PAI”

Eu vou, tu vais, ele vai,
Quintas Feiras são Dias
Ao Bar, O SOL MOI O PAI
Declamar as suas POESIAS

Ler “PROSA” também cativa
Em alguns momentos TEATRAIS
Com sua GRAÇA imaginativa
Nunca as CENAS serão de mais.
Ver agumas EXPOSIÇÕES
De DESENHOS e PINTURAS
Havendo muitas Conversações
Entre muitas das Presentes Criaturas.

São Momentos bem passados
Enquanto estamos Reunidos
Que serão sempre Recordados
Que por mim, nunca serão esquecidos.

Também se molha a GARGANTA
Com alguma Boa Bebida
Havendo quem me garante
Que é sempre bem ingerida.

E por vos falar em BEBIDAS
Por vezes fico confuso
Desde que sejam bem GUARNECIDAS
Prefiro o TINTO à ÁGUA do LUSO.

Toda esta forma de vos falar
É uma maneira de vos entender
Porque quando estou a DECLAMAR
Sou o único que não posso BEBER.

Desculpem-me de esta BRINCADEIRA
Isto por vezes é só conversa
Porque quando se diz ASNEIRA
Há “PIROPOS” que não interessa.

Esta é uma forma de me entreter
Para quem me gosta de ouvir
Porque melhor não sei ESCREVER
Embora os veja todos a rir.

Voltando ai início da DECLAMAÇÃO
Digo-vos que é muito Maravilhoso
Tudo o que me sai do CORAÇÃO
Apesar de já ser um IDOSO.



Pinhal Novo, 25 de Janeiro de 2007

Leafar Seugirdor

Um poeta popular no seu melhor, pois então.


Leafar a dizer o seu poema.

espinalmedula a encenar um impensamental "Precipitado cinza"



André a dizer "Ítaca" de Constantin Cavafis


Cristina a dizer "Peter Pan", um lindíssimo texto de uma autora sua conhecida.

Muitos mais passaram por estas noites espirituosas.

As fotos são de Pedro Roque.

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Afluentes do Sado em concerto aqui no Sol


Contra todas as expectativas, não é uma banda de jazz, nem de música experimental que vai inaugurar a era dos concertos neste bar. Por súbita consequência das janeiras e devido a velhas histórias, são mesmo, mesmo, mesmo os Afluentes do Sado que cá vêm já neste Sábado, dia 20 de Janeiro.
Os Afluentes do Sado” é uma divertida banda de música popular alentejana (mais propriamente de Alvalade) contando com um bom conjunto de vozes, o cavaquinho, a guitarra, o acordeão, o bombo e… os ferrinhos. Com um repertório quase inesgotável e mais de uma década de espectáculos por todo o país, esta banda é já uma instituição e uma embaixadora dos costumes alvaladences. Apesar de ter tido várias formações, é com o núcleo duro que contamos (e cantamos) já este próximo Sábado pelas 22:30h. Com esta presença artística é de esperar que o ambiente d' O Sol mói o PAI se transforme num espaço de convívio em grande estilo alentejano. A gerência dá preferência à marcação de lugares para que, na hora do espectáculo, todos estejam acomodados nos seus lugares e não haja movimentações incomodativas (o telefone é 212361373).

Para quem quiser saber de onde eles vêm, entre aqui em Alvalade do Sado.
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A 11ª sessão experimental de revozeirar poesias

Quinta-feira, dia 12, aconteceu mais uma sessão de poesias ditas e outras coisas tornadas voz e gesto. Desta vez contou com alguns adereços e com a presença do Maló (um poeta improvisador-cavador-de-poemas-naif-romântico), e duas espirituosas poetisas que passaram da discreta assistência para a frente de operações. Nesta noite foram ditos textos de Leafar Otsugua - “Passagem desnivelada/ pedonal”; Szymbouska - “Conversa com a pedra”; Sophia de Mello Breyner - “Os espelhos” aludindo ao cenário desta noite; Al Berto; K!m Pr!su; António Xavier; espinalMedula entre outros…


Um cenário cheio de fetishes para poetificar a noitada.


Maló num número psicadélico e cheio de Love for everybody.


Leafar, o maior poeta popular recordando os moinhos de vento com uma peça que ele próprio concebeu, e que pertence ao seu mini-museu.


espinalMedula numa performance impensamental alusiva à caótica da despedida. Ele aqui, é certo, vem nessa liberdade ambidestra iniciada sem ruas, despedindo-se quase do tamanho como se enaltece a descomunal da vida. Um clássico impensamental!!!

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domingo, 14 de janeiro de 2007


OS INTEIROS

A noite acabou com um quarteto em improvisação, baseando-se num trabalho exposto de Dina Nunes. Quando a sessão acabou, as palavras escritas voltaram a ficar caladas.
As fotos são todas de Pedro Roque.

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

EXPOSIÇÃO DE PINTURA E INSTALAÇÃO

Está patente desde hoje uma exposição de trabalhos da autoria de Dina Nunes. Esta mostra conta com 14 obras entre a pintura, instalação e escultura, dando-nos referências do seu percurso desde as primeiras experiências (ainda sem título) até aos trabalhos mais actuais e mais elaborados, misturando várias técnicas como a tecelagem e a colagem de objectos do quotidiano.
Os habituais do Sol mói poderão apreciar estas obras até princípio de Fevereiro.




Composição 2004
A realidade do passado e do presente

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terça-feira, 9 de janeiro de 2007

JANEIRAS COM O ATA

No passado sábado, dia 6, o Grupo de Teatro Artimanha (ATA) deu uma volta pelo Pinhal Novo, cantando as janeiras de porta em porta (de tasca em tasca) alegrando os ouvidos da clientela. A volta acabou aqui mesmo (no Sol mói o PAI), com as cantigas populares, próprias desta quadra, com guitarras, um adufe e a voz do Eloy a comandar as operações. Alguns Artimanhas vinham vestidos a preceito, recorrendo ao guarda-roupa do ATA. A intervenção contou também com alguns presentes como porta-papeis-das-letras, para os músicos lerem de pé e não se enganarem. Para quem não sabe, os fundos angariados nestas intervenções são exclusivamente destinados às actividades do teatro, e todos sabemos que este grupo tem dado provas de trabalho artístico por mais de duas décadas.



O ATA é uma referência cultural no Pinhal Novo.

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domingo, 7 de janeiro de 2007

dia 4, quintas a ler na 10ª sessão experimental.


António Xavier a dizer Mário Cezariny

Leafar com a sua pujante presença e com elaboradas introduções aos poemas. Hoje disse Cesário Verde, Vitorino Nemésio e poemas de sua autoria.

espinalMedula a dizer um quase-texto impensamental. Ele aqui faz duração pelos volumes ausentes, (representados por pintinhas brancas).

Posted by Picasa Estas fotos são da autoria de Pedro Roque, um importante assíduo nestas noites.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Fim da exposição de fotografia

Concluiu-se ontem, dia 4 de Janeiro, a exposição de fotos de Flávio Andrade. Esta mostra inspirou bastantes conversas ao longo de Dezembro e teve uma grande aceitação por parte do público em geral que esgotou os catálogos à disposição. Para quem quiser estar actualizado com os trabalhos de Flávio, aceda neste blog:

http://flankus.blogspot.com/

Está para breve uma exposição de pintura.

28 de Dezembro a 9ª sinfonia do Sol mói o PAI

Como já tem vindo a acontecer noutros dias, o encerramento da sessão contou com uma performance "repentista" (como diriam os brasileiros) em que os intervenientes desenvolvem um discurso (poético ou... sabe-se lá!) inspirados numa imagem sacada ao acaso dum livro ao acaso. Nesta hora foi em trio, atrás dum pass-partout-empenado-fetish-poético-indispensável.

Da esq. para a dir.: K!m Pr!su, Flávio Andrade e espinalMedula.
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Oacar Silva, interpretando o Homem-macaco-portugês, do livro "O Mal" de Américo Rodrigues, com ilustrações de K!m Pr!su. Neste momento, com a intervenção de 28 pessoas em 28 vozes, representando a segunda cena:
1ª voz- Não sei!
2ª voz- Não sei!
3ª voz- É um perigo público. O melhor será interná-lo num hospício.
4ª voz- Ele não é um débil mental. É um homem símples que tem crises.
5ª voz- Serão ataques de carácter neurilógico!
6ª voz- E por que razão tem que beber litro e litros de água?
7ª voz- É obra do diabo!
8ª voz- tem uma força anormal.
9ª voz- É um animal, não pode ser um homem!
10ª voz- Confessemos, somos incapazes de o tratar.
11ª voz- Talvez depois de morto, o mal se entenda.
12ª voz- Fechá-lo como um animal perigoso!
13ª voz- Mandá-lo para o Lorvão, talvez ai acalme.
14ª voz- É um caso curioso, apenas um caso curioso. Um caso curioso.
15ª voz- Vi-o, com estes olhos que a terra há-de comer, subir à Torre dos Clérigos. Com uma facilidade impressionante.
16ª voz- Chamam-lhe "homem macaco"! Mas ele não gosta!
17ª voz- Ao mesmo tempo é um infeliz, quando o ataque passa é vê-lo chorar que nem uma criança.
18ª voz- Sangrá-lo!
19ª voz- Faz mais falta como cadáver.
20ª voz- Não sei!
21ª voz- Não sabemos!
22ª voz- É um desajustado social. Não temos solução para casos destes. Pendê-lo... parece-me injusto.
23ª voz- Abrenúncio!
24ª voz- E se déssemos ordens para a Pide o fazer desaparecer?
25ª voz- É um caso científico de grande complexidade!
26ª voz- Um agitador!
27ª voz- Não sei!
28ª voz- Não sabemos!
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Flávio Andrade a interpretar um dos fabulosos textos do "Desordens todos os dias" de Frank Zappa, ou talvez mesmo um pedaço bem escolhido da obra "O cu através dos tempos" de Leo Campion.
Já agora, a árvore projectada lá ao fundo, é uma antiquíssima árvore da Lagoa da Palha, hoje inexistente, e a fazer parte de muitas coisas que se abatem e se esquecem nesta terra.
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Poesias e mais vozes que surgem

No dia 28 de Dezembro, aconteceu a nona sessão experimental de poesias e afins, ditas em voz alta. Como sempre, a fazer parte do núcleo duro destas manifestações, Rui Guerreiro com a sua forma pujante de dizer. Aqui provavelmente a interpretar "Os Ingleses fumam cachimbo" de José de Almada-Negreiros ou algures o "Manifesto Anti-Dantas" do mesmo autor... Posted by Picasa

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Uma amostra de alguns fetishes do Sol mói. Só coisas que moem a cabeça!... umas por via orgânica outras por via intelectual... ninguém sai daqui igual.
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